Os desafio do Novo Ensino Médio

pela educadora Carla Rênes (química)

O Novo ensino Médio foi promulgado pela Lei 13.415/2017, estabelecendo novas diretrizes e bases para a educação no país. A lei flexibiliza o currículo do ensino médio, permitindo a escolha de disciplinas de aprofundamento pelos jovens. O texto da lei divide o Ensino Médio entre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os Itinerários Formativos. A BNCC visa aprofundar e consolidar as aprendizagens essenciais que envolvem todas as áreas do conhecimento, já os itinerários formativos estão estruturados por área de interesse, consistindo em disciplinas relacionadas às Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática, Linguagens e Ensino Profissional, como descritos pela portaria 1.432 de dezembro de 2018, publicado em 06 de abril de 2019.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM), atualizadas pelo Conselho Nacional de Educação – CNE em novembro de 2018, traz em seu parágrafo 2º do artigo 12 a organização dos itinerários a partir de quatro eixos estruturantes: Investigação Científica, Processos Criativos, Mediação e Intervenção Sociocultural e Empreendedorismo. Segundo a portaria, estes eixos visam integrar bem como criar oportunidades para que os estudantes vivenciem experiências educativas profundamente associadas à realidade contemporânea, que promovam a sua formação pessoal, profissional e cidadã.

Tendo em vista toda essa mudança no cenário educacional brasileiro, muito tem se discutido sobre a concepção da BNCC e seus objetivos de aprendizagem através competências e habilidades, que, para muitos educadores, representa a perda de conhecimentos fundamentais ao pensar no ensino de forma superficial e mínima, já que os conteúdos de ciências, por exemplo, estão divididos apenas em três eixos. Essa concepção representa uma grande mudança de paradigma na educação brasileira.  

Outra questão levantada em fóruns de educadores é que a BNCC representa a construção de um currículo rígido, com competências e objetivos de aprendizagem bem definidos, excluindo-se, assim, a ideia de flexibilidade e adequação às necessidades regionais. Além da desigualdade educacional, que poderia ser ampliada pela falta de estrutura das instituições de ensino, resultando na exclusão ou limitação da oferta de itinerários formativos. 

Além disso, a formação do professor no chamado mundo V.U.C.A. (acrônimo em inglês para a era da complexidade, incerteza, volatilidade e ambiguidade) tem sido ainda mais desafiadora com a implementação do novo Ensino Médio e as expectativas que se pretende alcançar em termos do aumento gradativo da carga horária e resultados nos exames nacionais. Os resultados do Brasil nestes exames mostram que o modelo tradicional de educação não tem obtido êxito na aprendizagem. O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA sigla em inglês), realizado em 2015, mostra uma queda na pontuação das três áreas avaliadas: ciências, leitura e matemática, deixando o país nas posições 59ª em leitura, 63ª em ciências e 66ª em matemática. 

Consonante ou não com o desejo de mudança do cenário educacional, o novo Ensino Médio já está sendo implementado e nós, educadores, precisamos construir uma nova identidade enquanto orientadores do processo de ensino e aprendizagem. Afinal, pensar na essencialidade do conteúdo é tão importante quanto refletir sobre a formação dos nossos jovens, buscando estratégias eficazes a fim de desenvolver as habilidades e competências para enfrentamento dos desafios do século XXI, assim como apostar em metodologias mais significativas para construir conceitos fundamentais e proporcionar a melhor experiência de aprendizagem possível na escola.

Imagem: https://portal.educacao.rs.gov.br/novo-ensino-medio

Similar Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.