Experiências de Aprendizagem: Criando novas estações

pela educadora Carla Rênes (química)

Toda forma de ensinar traz uma concepção do ser humano, seja pela forma como fomos ensinados ou pela forma como aprendemos. E entre ensinar e aprender, deixamos um pouco de nós e levamos um pouco de cada estudante.

A sala de aula é um espaço rico de aprendizagem, temos diferentes pessoas com diferentes trajetórias e relativas histórias. O aluno não é uma página em branco que aprende tudo sobre a vida na escola. Portanto, é necessário entender quais as habilidades trazidas pelos jovens, visto que, em tempos de comunicação digital, o conhecimento ganha novas características. Enquanto você lê este texto, blogs são editados, notícias atualizadas e livros eletrônicos são criados. Somos mais interativos, queremos formar opinião, twittar durante os programas e dar a nossa voz. São, assim, muitas as formas de difusão e produção de conhecimento.

Esse comportamento social é refletido diretamente na escola e, então, precisamos repensar os espaços de aprendizagem, a fim de abarcar os indivíduos que produzem conhecimento de diferentes formas e promover engajamento acadêmico. 

Lançar um novo olhar sobre os espaços de aprendizagem está longe de ser a solução para todos os problemas do cenário educacional brasileiro, mas nos permite potencializar as interações de um grupo e tornar a aprendizagem mais significativa. E, para isso, uma alternativa em termos de protagonismo e interação na sala de aula apresentam-se as metodologias ativas.

As metodologias ativas consistem em um conjunto de estratégias pedagógicas que vêm sendo utilizadas com o objetivo de tornar o aluno ativo e protagonista da aprendizagem, o reconhecendo como centro do processo. Essas estratégias desenvolvem no aprendiz flexibilidade cognitiva, aprendizagem colaborativa, comunicação, estímulo multissensorial, autonomia, criatividade, versatilidade, capacidade de resolução de problemas e entre outras competências.

Desta forma, o currículo tem sido visto com flexibilidade, a partir dos objetivos de aprendizagem mais específicos. Transformando a rigidez em flexibilidade. Dentre as metodologias ativas podemos destacar: a Rotação por estações, a Instrução por pares, sala de aula invertida, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em projetos e entre outras. 

Buscando o protagonismo dos jovens e o desenvolvimento de habilidades com grande valor para a vida e para o mundo trabalho, a Rotação por Estações é uma metodologia versátil, simples e engajadora muito utilizada na educação. Inspirada nos cantinhos de aprendizagem da educação infantil, ela consiste em um conjunto de atividades independentes entre si e conectadas por um tema, em que os alunos rotacionam em pequenos grupos.  Em geral, as estações dividem-se da seguinte forma:

  • Atividade mediada pelo professor;
  • Atividade colaborativa (experimentos, exercícios);
  • Atividades online.

Esquema das estações em um modelo de Rotação. (Adaptado de blendedlearning.org)

Alguns elementos importantes precisam ser considerados para que a metodologia possa ser significativa e engajadora, tais como instruções claras, tempo definido para cada estação, objetivos de aprendizagem estabelecidos, validação (avaliação antes e depois da metodologia), atividades para diferentes estilos de aprendizagem e tecnologia digital. Em algumas escolas que não dispõem de tecnologia digital, a atividade online pode ser substituída por outras atividades, seguindo pela ideia de metodologia ativa, mas deixando de ser híbrida.

A Rotação por estações é uma metodologia ativa que está inserida no conceito de ensino híbrido, pois utiliza elementos do ensino à distância com elementos do ensino presencial, tal como a atividade online.

Outras metodologias podem ser conjugadas com a rotação, tais como a sala de aula invertida e a instrução por pares, assim como uma aula expositiva após a rotação por estações, a fim de sistematizar o conteúdo. 

Lembrando sempre que o professor tem o papel de mediador do processo de ensino-aprendizagem e que o estudante é o real protagonista do processo.

Por fim, experimente! Conheça a metodologia, faça adequações e crie seu modelo!

Conte conosco para reinventar a sua sala de aula.

Imagem: https://soumamae.com.br/teoria-da-experiencia-de-aprendizagem-mediada-de-feuerstein/

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